Bebé arco-íris - a história da Ola Pawlisiak
A nossa história começa como tantas outras: amor, casamento, e ter um filho que completasse o nosso pequeno mundo parecia a coisa mais natural. Mas a natureza prega-nos muitas vezes partidas...
Alguns meses depois de ter decidido ter um filho, senti que finalmente tinha conseguido! Cheia de emoção, fiz um teste de gravidez e fiquei em choque – deu negativo. Não queria acreditar. Tentei controlar-me, chamar-me à razão, mas a intuição não me deixava em paz. Eu sentia-me grávida! Fiz análises ao sangue e o resultado foi claro: eu tinha razão! Comprei logo uns sapatinhos minúsculos e lindos, desenhei com um marcador vermelho um grande coração à volta do resultado e dei-o ao meu marido. Estávamos tão felizes! Infelizmente, nesse mesmo dia surgiram os primeiros sintomas preocupantes. Fui ao médico, que me disse que a gravidez estava muito no início e que tínhamos de esperar. Esperámos, cheios de ansiedade e esperança, e nas consultas seguintes a alegria foi voltando: o embrião crescia, ainda que devagar, e quando o médico finalmente nos mostrou um coração a bater no ecrã, respirámos de alívio. Acreditámos que, a partir daquele momento, tudo ia correr bem. Infelizmente, na consulta seguinte percebemos que o nosso bebé não tinha crescido o suficiente e que o coração não batia como devia. Era dia 23 de dezembro. O médico disse-nos para não perdermos a esperança, porque «é Natal, e no Natal até acontecem milagres». Infelizmente, não no nosso caso... 27 de dezembro – o dia do tudo ou nada... Uma imagem imóvel no ecrã da ecografia... O nosso milagre de Natal não aconteceu – o coração do nosso pequenino parou. O médico responsável veio ver-me ao hospital. Depois de uma breve conversa, disse-me: «Tem de ser forte... Lembre-se: é como um tatu, e nada a vai abalar». Quando saí do hospital, fui a um estúdio de tatuagens. A primeira vaga disponível. O tatu está comigo para sempre.

Quase um ano depois, voltei a fazer um teste de gravidez.




A primeira consulta pouco antes do Natal e, outra vez, o mesmo: a gravidez está no início, é preciso esperar. A 27 de dezembro estávamos de novo sentados na mesma sala de espera, a viver um terrível déjà vu – esperávamos pelo tudo ou nada. Desta vez a imagem da ecografia não estava imóvel: o coração batia de forma regular e forte no ecrã. Hoje a nossa filha arco-íris tem mais de 3 anos e todos os dias nos dá trabalho a dobrar :)

O pano das fotografias é o RAINBOW BABY: https://bit.ly/3lSadwX